Corro a avenida da tevê e dou com ele, num velho filme dos velhos tempos. O crioulo era simplesmente genial. Cantava, dançava, pulava, fazia imitações de Jimmy Stewart, Cary Grant, Jimmy Cagney, relativamente fáceis para um profissional da mímica, mas seu Marlon Brando parava a festa. Sammy, feio como o pecado, reproduzia à perfeição cômica a inflexão perplexa de Marlon Brando, bonito como um deus. A vitalidade de Sammy nos assombrou nos anos 60.
sexta-feira, 16 de março de 2012
Fumar é um prazer
Diz um velho tango, com muitas versões. Será? Não sei. Nunca fumei, e lembro apenas Nora Ney a cantar De cigarro em cigarro, um clássico de Luiz Bonfá: “Outra noite esperei / Outra noite sem fim / Aumentou meu sofrer / D cigarro em cigarro / Olhando a fumaça no ar se perder”... Os fumantes garantem que o cigarro é também um companheiro da nossa solidão. E finalmente o cigarro é ter alguma coisa para fazer, como arranjar um câncer no pulmão. Mais e mais não temos o que fazer. A tecnologia eliminou, em grande parte, o trabalho braçal. A informática, o mental.
Memória
Governador do Ceará pela segunda vez (1979-1982) – a primeira vez foi entre 1963 e 1966 – Virgílio Távora estava no gabinete, quando entra um aspone qualquer, doido para uma puxada, algo que sua excelência detestava. Pediu licença e mostrou um livro, onde o autor, lá pras tantas, espinafrava VT. Atento ao trabalho que fazia, Virgílio apenas perguntou em que página estava o texto. O aspone abriu o livro e apontou: “Aqui na página 12.” VT nem olhou e perguntou o nome do escritor. O aspone disse, fazendo cara de nojo. E o governador, sem tirar os olhos do trabalho que fazia, disparou:
-- Ora, doutorzinho, com um autor desse o leitor sequer chegará à página 10. Jogue isso no lixo...
Cachorro doido
Meu pai, homem culto e cheio de bondade, jornalista, escritor, biógrafo e folclorista, uma vez me fez uma observação que jamais esqueci. Diante de uma nota hostil que um adversário político escreveu sobre ele, apenas observou:
-- Não se deve dar troco a certa modalidade de escribas rancorosos e desocupados. Todos são como certos cachorros doidos: põe-se-lhes a mordaça e eles encontram meio de latir pelo rabo.
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