terça-feira, 27 de agosto de 2013

Ecologia

Os ecologistas vivem de debates ao redor do mundo,  mas os resultados são decepcionantes. Os países ricos, num jogo escapista, limitam-se a acusar os países pobres de vilões da natureza.  Há uma acirrada confrontação ideológica e falam até do conforto mais desconfortável que a humanidade já conheceu, quando jogam dentro da mesma garrafa a contradição entre crescimento econômico e qualidade de vida. 

Afinal, somos todos passageiros deste planeta azul que viaja pelo infinito, carregando a alma atribulada dessa criatura de Deus – o homem --, que depois de todos os pecados, como um demônio, destrói a própria vida, destruindo a natureza. Nas décadas recentes, tudo piorou. O mundo continua a jogar toneladas e toneladas de detritos na atmosfera, a aumentar o arsenal de armas nucleares, a contaminar os mares, a destruir a Terra, sem falar na poluição da pobreza. Ai de nós. 

Fritura

Estão “fritando” o ministro Guido Mantega. O diabo é que ele pensa que o cargo é vitalício. Quando o ministro vai mal, começa a fazer coisas que não deve, como esconder fatos reais e visíveis. Organizou um esquema de apoio para continuar na Fazenda. E passa à mídia supostas notícias privilegiadas nas quais sempre ele vai bem. Dilma nada sinaliza (só pensa em se reeleger). Mantega está naquela fase de colocar gasolina na própria roupa e acender fósforos. E nada existe de pessoal nesse processo: é ético e político

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Já eleito presidente pelo voto popular, em 1950, durante o exílio voluntário na sua fazenda de São Borja (ele não nasceu em São Borja, como quase todos pensam,  mas na fazenda “Triunfo”, a 30km da cidade), a todo momento posava um avião com gente para vê-lo e lambê-lo de bajulação. Depois de anos sozinho, rodeado apenas pela peonada e pelo “Anjo Negro”, o Gregório Fortunato, agora era a invasão até do alfaiate para as roupas que deveria usar durante os discursos. Quem olhasse a casa da fazenda, não diria pertencer a quem mandou, absoluto, como ditador, 15 anos no Brasil. 

Pequena, sala e três quartos, cozinha e um banheiro, móveis velhos, descascados. O quarto de Getúlio lembrava a modéstia de catre de pensão de estudante. Encostada à janela, a cama patente de molas frouxas, colchão com as depressões de anos de uso. Roupas branca, de fazenda áspera de má qualidade, lençóis e fronhas de tropeiro. Encostado na parede livre, armário de duas portas, sem espelho, via-se, num pau roliço, uma dúzia de cabides com as bombachas, as camisas do sumaríssimo guarda-roupa. Poucos livros, empilhados sem ordem, em cômoda ao lado da porta. 

Em outra cômoda, a vitrola portátil, tocada a manivela, uma dezena de discos do sanfoneiro Pedro Raymundo, que teve sua época de sucesso, com “Meu Coração Te Fala” e “Escadaria”, por exemplo.  Getúlio mandava buscá-lo na fronteira (com a Argentina) e passava a noite entre a sanfona, os charutos e um ou outro trago de uísque. Gregório ouvia sem dar uma palavra, cara amarrada, enquanto a peonada ria e se divertia com a música. Na varanda larga, Getúlio equilibrava o corpo roliço, enganchado na rede, as pernas curtas, pés calçados de chinelos, pendurados nos dedos. 

No mais, a vestimenta típica, limpa e com sinais de uso nos puídos  das mangas e do colarinho; bombachas, blusão folgado, o cinturão largo cingindo a barriga volumosa. E ali, durante quase três anos, o chefe da Revolução de 30, o ditador do Estado Novo, o político que não roubou um vintém no poder, o homem público de comprovada honestidade, o senador que não exerceu o mandato (passou uns dias no Congresso, teve um forte bate-boca com o general Euclides Figueiredo e pediu o boné), esperou, com paciência de eremita, que o fossem buscar. 

A despeito de seu estilo caudilhesco, é possível que a História venha um dia a reconhecer, sem paixão, que Getúlio Vargas foi um momento importante em nossa trajetória republicana. E que, por paus e por pedras, numa fase ideologicamente confusa, tenha contribuído decisivamente para inaugurar no Brasil, com o atraso de três decênios, o conturbado século XX. Tudo acabou – parece incrível – há exatos 59 anos, com aquele tiro no Catete.

E lá está ele, sepultado em São Borja. E  não está só. A seu lado, por desejo da família de cada um, estão o ex-presidente João Goulart, o ex-governador do Rio de Janeiro, deputado e senador Leonel Brizola e o guarda-costa de sempre, o “anjo negro” Gregório Fortunato, assassinado na prisão durante uma briga, conforme uma versão muito mal contada.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Na época em que o Rio de Janeiro ainda era Distrito Federal, o presidente da Câmara, Ranieri Mazzili, concedeu a palavra ao deputado Carlos Lacerda. O representante do Distrito Federal, deputado Bocaiúva Cunha, foi rápido e gritou ao microfone, sob os risos do plenário: -- Lá vem o purgante! Lacerda, num piscar de olhos, respondeu: -- Os senhores acabaram de ouvir o efeito! (Muito mais risos, até dos adversários...)