sábado, 22 de janeiro de 2011

FIDEL


E o velho Fidel não morre. Parece que viverá 200 anos. Com todo o carisma do ditador mais antigo do planeta, cedeu o trono ao irmão, que o obedece cegamente. Fidel, na verdade, adorado por muitos intelectuais brasileiros, é essencialmente um conservador feudal, um feitor de hacienda, a quem a idéia de renovações, de modernidade, horroriza. O diabo é o stalinismo brutal e caduco que o acompanha como uma sombra maldita.

ÉPICO

É indispensável a leitura de Os Sertões, de Euclides da Cunha. É culto e não é modelo de estilo. Seu livro é de gênio. Nos dá a realidade do sertão, que é, para efeitos políticos, o Brasil quase todo, tirando o Sul. A realidade do sertanejo, e do nosso atraso como civilização, como cultura, como organização do Estado. Está tudo ali com perfeição.

Euclides começou o livro para destruir o cearense Antônio Conselheiro e a Revolta dos Canudos, mas se deixou emocionar pela coragem e persistência dos revoltosos e terminou escrevendo um grande épico, em prosa, que o crítico e poeta americano Robert Lowell, que só leu a tradução, considera superior a Guerra e Paz, de Tolstoi. É majestoso e passional, ao mesmo tempo.

Vemos como nunca vimos e nunca mais veremos a condição humana desses pobres-diabos de Antônio Conselheiro. Contra a nossa vontade, sentimos a inevitabilidade de tudo aquilo e nos identificamos emocionalmente com os revoltosos.

VELOCIDADE

Já contei o episódio várias vezes, mas pode ser que não me tenham lido nenhuma vez. Fui um dia almoçar com o ministro Armando Falcão  (Fortaleza, 1919-Rio de Janeiro, 2009), deputado federal em 1950, ex-ministro da Justiça de JK e depois de Geisel, na fazenda dele, “Massapé Grande”, em Quixeramobim, a pouco mais de 200km de Fortaleza.

 Com todas as casas em branco e azul, o assoalho em madeira encerada, a centenária  fazenda é belíssima, e tem até capela e campo-de-pouso asfaltado. Foi um dia de grandes papos, eu só ouvindo. Ele defendia o nome de Aureliano Chaves (vice de Figueiredo) para a presidência da República, e a longa entrevista que lhe fiz foi publicada em duas páginas do Diário do Nordeste.

Ao deixar a fazenda, no entardecer,  para a viagem de volta, o ministro me levou até o carro. Sempre simpático e risonho, depois dos abraços, ele se volta para o motorista e observa:

-- Olha aqui, meu filho. Até aos 80km, o carro pertence ao motorista. Aos 100km, o motorista passa a pertencer ao carro. E acima disso, os dois pertencem ao diabo...

sábado, 15 de janeiro de 2011

FELICIDADE




Não lembro de quem é esta observação. Esqueci o nome do filósofo. Ele disse mais ou menos o seguinte: não pode ser feliz a mulher com vestido de chita, cercada de amigas com vestido de seda...