sábado, 15 de janeiro de 2011

FUTURO POLÍTICO


Ele já declarou que será o próximo presidente da República, como se pudesse ler o futuro, que é um espelho sem vidro e só a Deus pertence. Eu acho que, numa lição de humildade, seria um nome muito forte para a sucessão da Luizianne na prefeitura de Fortaleza, cargo que já ocupou por 14 meses, no entardecer dos anos 80 (substituindo Maria Luíza Fontenele), ao qual renunciou para ser governador do Estado. Poderia voltar agora, e o fortalezense ganharia muito com isso.

Para a presidência da República, na atual conjuntura, parece-me muito difícil, embora em 2014 esteja apenas com 57 anos. Muito jovem, portanto, e  com muito fôlego para uma boa briga política. Luizianne não tem um nome à altura para disputar com ele, além do que o irmão, Cid, ainda estará no governo do Estado, fortalecendo-o. Mas Ciro tem a obsessão do Planalto, e pouco se lhe dá passar por novo vexame. Quem não arrisca...

MEDO DA RECESSÃO


O ministério da presidente Dilma, de tão fraco, e um país de economia a balançar, pode nos levar à recessão, e o setor social pagará o custo mais alto. Com desemprego, violência urbana, fome, desnutrição, doenças, vidas, intranqüilidade, pessimismo, perda de valores. Paga, dentre os pobres, com os mais pobres. Às vezes, os mais fracos, as crianças. E vem o desespero. Já passamos por isso, com Sarney, uma história longa e triste.

Daí o esforço que Dilma terá de fazer para evitar que os bolsões de pobreza (tema central de suas promessas)  cheguem à temperatura de explosão. Todas as luzes de alerta deverão estar em condições de disparar. Acrescente-se a insensibilidade de países ricos, nas suas discussões com os pobres, para o social. Dilma não fará milagres, mas dela todos esperamos uma visão humana do desenvolvimento.

O desenvolvimento brasileiro sempre teve a marca do capenga. Anda torto. À frente, ao contrário das maravilhas que apregoam, o econômico. O desenvolvimento político, este, nem falar. De longe, é dos mais atrasados do continente. O social, a grande tragédia. Dilma prometeu muito, e isso é que preocupa. Terá boas intenções, provavelmente. Mas onde encontrar condições de atenuar a vida de 10 milhões de miseráveis?

O PEIXE DA MODA


Há, no país, uma epidemia de furto e roubo. Pior que a virose, a dengue, o cólera. Há pânico. Para todo lado se fala nisso. É a fofoca nacional. Rouba-se tudo. Está de tal modo que nos balcões dos peixeiros, ali da Beira Mar – onde já foi assaltado até o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes -- um feirante indignado passa o tempo a gritar que robalo é o peixe do dia.

Lembra-me que na Argentina, um dia, roubaram as mãos do cadáver de Perón, e na Rússia abriram a sepultura de um general suicida, para furtar-lhe a farda e vendê-la como relíquia. Já roubaram o relógio do marechal Castelo Branco, no mausoléu ao lado do Palácio da Abolição. Jamais descobriram o autor da façanha.

O padre Vieira escreveu a Arte de Furtar, e também quiseram furtar-lhe a autoria, achando que não era dele.  Diria Drummond:  como dói!

DEMOCRACIA

A democracia tem muitas definições. Muitas velhas, outras recauchutadas. Umas de elaborado conteúdo, outras mais formais que substantivas.

Mas foi Churchill, com aquele humour, quem, de forma quase anedótica, melhor a definiu e explicou: “É aquele regime em que se, às seis horas da manhã, a campainha de sua casa toca, temos certeza de que é o padeiro ou o leiteiro, e nunca a polícia política”.

E acrescentou: “É o pior de todos os regimes, com imensos defeitos, mas, infelizmente, não existe melhor.”

Na verdade, a grande capacidade de sobrevivência do regime democrático deve-se ao fato, sempre constatado, de que é o único que resiste a crises.