quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Já eleito presidente pelo voto popular, em 1950, durante o exílio voluntário na sua fazenda de São Borja (ele não nasceu em São Borja, como quase todos pensam,  mas na fazenda “Triunfo”, a 30km da cidade), a todo momento posava um avião com gente para vê-lo e lambê-lo de bajulação. Depois de anos sozinho, rodeado apenas pela peonada e pelo “Anjo Negro”, o Gregório Fortunato, agora era a invasão até do alfaiate para as roupas que deveria usar durante os discursos. Quem olhasse a casa da fazenda, não diria pertencer a quem mandou, absoluto, como ditador, 15 anos no Brasil. 

Pequena, sala e três quartos, cozinha e um banheiro, móveis velhos, descascados. O quarto de Getúlio lembrava a modéstia de catre de pensão de estudante. Encostada à janela, a cama patente de molas frouxas, colchão com as depressões de anos de uso. Roupas branca, de fazenda áspera de má qualidade, lençóis e fronhas de tropeiro. Encostado na parede livre, armário de duas portas, sem espelho, via-se, num pau roliço, uma dúzia de cabides com as bombachas, as camisas do sumaríssimo guarda-roupa. Poucos livros, empilhados sem ordem, em cômoda ao lado da porta. 

Em outra cômoda, a vitrola portátil, tocada a manivela, uma dezena de discos do sanfoneiro Pedro Raymundo, que teve sua época de sucesso, com “Meu Coração Te Fala” e “Escadaria”, por exemplo.  Getúlio mandava buscá-lo na fronteira (com a Argentina) e passava a noite entre a sanfona, os charutos e um ou outro trago de uísque. Gregório ouvia sem dar uma palavra, cara amarrada, enquanto a peonada ria e se divertia com a música. Na varanda larga, Getúlio equilibrava o corpo roliço, enganchado na rede, as pernas curtas, pés calçados de chinelos, pendurados nos dedos. 

No mais, a vestimenta típica, limpa e com sinais de uso nos puídos  das mangas e do colarinho; bombachas, blusão folgado, o cinturão largo cingindo a barriga volumosa. E ali, durante quase três anos, o chefe da Revolução de 30, o ditador do Estado Novo, o político que não roubou um vintém no poder, o homem público de comprovada honestidade, o senador que não exerceu o mandato (passou uns dias no Congresso, teve um forte bate-boca com o general Euclides Figueiredo e pediu o boné), esperou, com paciência de eremita, que o fossem buscar. 

A despeito de seu estilo caudilhesco, é possível que a História venha um dia a reconhecer, sem paixão, que Getúlio Vargas foi um momento importante em nossa trajetória republicana. E que, por paus e por pedras, numa fase ideologicamente confusa, tenha contribuído decisivamente para inaugurar no Brasil, com o atraso de três decênios, o conturbado século XX. Tudo acabou – parece incrível – há exatos 59 anos, com aquele tiro no Catete.

E lá está ele, sepultado em São Borja. E  não está só. A seu lado, por desejo da família de cada um, estão o ex-presidente João Goulart, o ex-governador do Rio de Janeiro, deputado e senador Leonel Brizola e o guarda-costa de sempre, o “anjo negro” Gregório Fortunato, assassinado na prisão durante uma briga, conforme uma versão muito mal contada.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Na época em que o Rio de Janeiro ainda era Distrito Federal, o presidente da Câmara, Ranieri Mazzili, concedeu a palavra ao deputado Carlos Lacerda. O representante do Distrito Federal, deputado Bocaiúva Cunha, foi rápido e gritou ao microfone, sob os risos do plenário: -- Lá vem o purgante! Lacerda, num piscar de olhos, respondeu: -- Os senhores acabaram de ouvir o efeito! (Muito mais risos, até dos adversários...)

Quando Churchill fez 80 anos, um repórter menos de 30 foi fotografá-lo e disse: ´´ -- Sir Winston, espero fotografá-lo novamente nos seus 90 anos...  Resposta de Churchill: -- Por que não? Você me parece bastante saudável...
Telegramas trocados entre o dramaturgo Bernard Shaw e Churchill, seu desafeto. Convite de Bernard Shaw para Churchill: “Tenho o  prazer e a honra de convidar digno primeiro-ministro para primeira apresentação de minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo, se tiver”. Bernard Shaw. Resposta de Churchill: “Agradeço ilustre escritor honroso convite... Infelizmente não poderei comparecer primeira apresentação. Irei à segunda, se houver. Winston Churchill.