quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Biografia de Tasso

Nunca mais ouvi falar na biografia de Tasso Jereissati, que o jornalista Wanderley Pereira estaria escrevendo (Pereira é também ótimo poeta e um grande repentista). O que deve estar acontecendo será por culpa da carregada agenda de Tasso para contar sua vida ao escritor. Se o biografado for contar tudo o que já passou no campo político e empresarial, um volume será pouco. O pai dele, Carlos Jereissati, foi duas vezes deputado federal e faleceu como senador, antes de completar um ano do mandato. Era praticamente o dono do PTB no Ceará da época e um empresário vitorioso, mas o coração  doente lhe roubou a vida aos 47 anos, em maio de 1963. A morte comete seus assassinatos. Dr. Tasso tinha então 16 anos e assumiu as atividades empresariais do pai, depois de se formar em administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas. 

 Em 1987, foi eleito governador pelo PMDB, elegeu Ciro Gomes para sucedê-lo e em seguida voltou ao governo do Estado, onde cumpriu dois mandatos seguidos, com o advento da reeleição, inclusa na constituição de 88, a “Constituição Cidadã”, assim batizada por Ulysses Guimarães (11 vezes deputado federal por São Paulo, um recorde). Depois foi eleito para o Senado e teria sido reeleito, não fossem as baixarias de Lula, que passou a persegui-lo. Agora no PSDB, partido que ajudou a fundar, ninguém sabe qual é o seu projeto político para 2014, ano que deverá nos oferecer fatos  explosivos, quando  Dilma fará um pacto até com o Capeta para ser reeleita. O poder, sabe-se, engendra a volúpia do poder, e quem pode quer sempre poder mais.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Divã

A rádio CBN transmite todos os dias os “conselhos” do médico Gikovate. Chegam a ser engraçados, coisas assim de cartomante ou de cigana. Para todos os problemas que lhe exigem análise, ele descamba no óbvio, como ocorre nas filosofias de pára-choque. Ora, o que pode acontecer com um sujeito de 80 anos que se casa com uma jovem de 20-25? Posso responder na hora: compra jornal para o vizinho ler...

Riscos

A centenária credibilidade e o respeito que o STF merece da sociedade brasileira correm riscos no julgamento do mensalão. O presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, tem a boca destravada, como diria Nélson Rodrigues, e fala o que pensa, doa em quem doer. Não é emoção, é exatidão. Seu vice, ministro Ricardo Lewandowski, duro e sincero, não esconde suas deduções e não silencia. Os ministros do STF, sobretudo nesta fase, dignificam a mais alta corte do país.


Estamos vivendo a plenitude do estado de Direito, passados os  tempos dos intervencionismos, dos golpes, e a consciência nacional execrando todas as formas de autoritarismo, disfarçadas ou ostensivas. O STF mostra não estar voltado apenas para os aspectos jurídicos, mas também age como um tribunal federativo, político, uma corte constitucional, encarregada de guardar a Constituição e velar pelas instituições. Ousa e abre caminhos. 

Reforma política

Eis  de que o Brasil mais precisa. Uma reforma que mostre de cara que o voto proporcional desintegra os partidos,  faz a proliferação deles. O voto majoritário, sim, seria o ideal. É formador de grandes partidos, estáveis, capazes de dar estabilidade aos governos  e realizar o grande sonho do governo democrático: alternância do poder. Um partido que não influencie o poder, mas exerça o poder. 

Chile, Argentina, Paraguai, Bolívia – para citar nossos vizinhos – têm partidos centenários.  No Brasil é difícil um partido completar sequer bodas de prata. Por quê? Porque nós não queremos acreditar que partidos longevos, estáveis, capazes de dar estabilidade são resultantes do sistema eleitoral. O voto distrital não é bem-vindo por aqui. Nossas lideranças  não o aceitam. Esquecem que todos os grandes estadistas do mundo floresceram no voto distrital. 


Sem voto majoritário não há Parlamento forte. Sem Parlamento forte não há democracia forte.  Esta é a grande verdade que nos recusamos a aprender e ficamos a fazer leis para limitar partidos, controlar gastos eleitorais, fidelidade partidária, que apenas terminam numa grande farsa e no estímulo à hipocrisia. O mal está na raiz – o voto proporcional.